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Registos Paroquiais – abreviaturas paleográficas e termos antigos

Registo paroquial com abreviaturas

Quem consultar livros de registos paroquiais decerto irá encontrar dois tipos de dificuldade (se não tiver-mos em consideração o péssimo estado de conservação de alguns destes livros): a caligrafia do padre que lavrou o registo e, inevitavelmente, as abreviaturas usadas no decorrer do texto. A caligrafia poderá variar entre uma caligrafia de fazer inveja a qualquer um, até uma caligrafia em que poderíamos pensar estarmos a ler registos escritos num idioma extinto!

No que diz respeito á caligrafia, o melhor é tentar ler vários registos (ou tantos quantos necessários) lavrados pelo mesmo padre, para que eventualmente possamos  ler com um bom nível de fiabilidade o registo que nos interessa em particular. Felizmente, no que diz respeito aos registos paroquiais, estes registos tendem a seguir uma formato regular (tipo minuta) pelo que, com a prática, eventualmente a sua leitura se tornará mais fácil.

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Quelfes: Rol de Crismas 1753

Uma das fontes documentais ainda pouco utilizadas na investigação genealógica são os róis de confessados e de crismas. Serão porventura pouco utilizados porque na maioria dos casos, estes róis, ao contrário dos livros de registos paroquiais que transitaram das paróquias para as conservatórias de registo civil e para os arquivos distritais, continuam a ser guardados nos arquivos das respectivas igrejas. Os arquivos das igrejas/paróquias não são arquivos de acesso público e como tal, acesso a estes documentos depende da autorização (e da vontade para tal) de cada pároco, o que não deixa de ser uma pena, pois estes são documentos de muito valor quer na pesquisa genealógica, quer para estudos de demografia histórica – especialmente no que diz respeito a róis de confessados, pois estes abrangiam toda a população de cada freguesia.

A crisma, sendo um sacramento que sendo feito só uma vez na vida, normalmente quando se atinge os 15 anos de idade, dá-nos apenas dados sobre uma pequena parte da população. Contudo os róis de crismas não deixam de ser documentos de muito valor, pois em certos casos, são os únicos documentos existentes para datas em que os registos paroquiais se perderam.

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Lápides tumulares: Igreja de Quelfes, Olhão

Á entrada das portas principal e lateral (lado sul) da igreja de Quelfes, existem duas lápides tumulares, as quais contêm inscrições. Estas são as duas únicas lápides tumulares no exterior da igreja de Quelfes, e por incrivél que isso nos pareça, de acordo com os registos de óbitos correspondentes, estão ainda na posição em que inicialmente foram colocadas!

Junto da porta principal:

Lápide tumular de José Dias Patrão

Lápide tumular de José Dias Patrão

AQVI JAS / O RD JOZE DIAS / PATRAO CLERIGO / IN MINORIBVS QVE / FALECEV EM 16 DE / MARCO DE 1810 / P.N. A.M.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo José Dias Patrão, Clérigo in minoribus, que faleceu em 16 de Março de 1810. Padre Nosso. Avé Maria.

O registo de óbito de José Dias Patrão está lavrado na folha 66-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e dez anos faleceu José Dias Patrão, viúvo de Maria Rosa da Assunção, recebeu todos os sacramentos do costume, fez testamento, cujo testamenteiro é Manuel Lopes, genro do mesmo testador, morador no sitio da Alecrineira desta mesma freguesia, onde o dito testador residia havia sete anos. Foi sepultado ao pé da porta principal desta igreja, sua freguesia, do que fiz este termo, que assino dia, mês e ano, ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes

É curioso que o registo de óbito não se refira a José Dias Patrão como sendo um membro do clero, mencionado que este foi casado e era viúvo na data em que morreu.

Porta Lateral (Sul):

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

AQUI JAS / O [REVERENDO] / [PADRE] JOZE / PALERMO DA P/ONTE DO SITIO DE MA/RIM DESTA [FREGUESIA] / O QUAL FALECEO N/[O DIA 15] DO M[ES] / DE MAIO [DE] / 1809

Texto da inscrição parcialmente reconstituído [entre parênteses rectos] devido ao mau estado de conservação da lápide.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia, o qual faleceu no dia 15 do mês de Maio de 1809

O registo de óbito do Padre José Palermo da Ponte está lavrado na folha 63-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos quinze dias do mês de Maio de mil oitocentos e nove anos faleceu de um catarral o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia de Quelfes. Recebeu os sacramentos do preceito. Fez testamento, cujos testamenteiros são: António Palermo, irmão do defunto, e António Pereira da Costa, cunhado do mesmo. Foi sepultado á porta do sul desta igreja no dia dezasseis do referido mês, do que fiz este termo, que assinei dia, mês e ano ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes