Arquivo da Categoria: Algarve

Hospital de Olhão, fundado em 1885

Hospital de Olhão - 1885

Frontespicio do hospital de Nossa Senhora da Conceição , que actualmente se está construindo na Villa d’Olhão, no Algarve

Historia d’este Hospital

Era d’ha muito sentida n’esta importante villa a falta de um hospital, onde aos pobres fossem caridosamente ministrados os socorros precisos em suas enfermidades, e por vezes, até alguns cidadãos prestantes, animados do santo empenho de verem a terra doptada d’um tal melhoramento, chegaram a promover reuniões das pessoas mais qualificadas da localidade, e a abrir entre ellas subscripção de donativos para a construção do edificio; mas tinham a poucos passos de desistir da idea convencidos da impossibilidade de a levar´execução só com taes recursos.

Em 1883 por falecer aqui, a 7 de outubro, o benemerito José Mendes, viuvo de Rosa Maria do carmo, proprietario, deixando consignado em seu testamento que a terça parte dos seus bensfosse entregue ao Comprimisso maritimo d’esta villa, para essa associação fundar um hospital para pobres, caso ella quizesse tomar posse do legado e aceitar o encargo.

A mesa que então administrava o Compromisso, presidida pelo cidadão Domingos da Costa Mira, aceitou de facto o encargo em nome da associação, e habilitou-se judicialmente a receber o legado destinado a tal fim, mas como estivesse a terminar a sua gerencia, nada mais poude fazer.

A que se lhe seguiu, presidida pelo rico proprietario Manuel Machado, e auxiliada por elle com o importante donativo d’um conto de réis, dos quaes sete centos mil réis foram empregados na compra da propriedade onde o hospital está sendo erigido, e os restantes tresentos mil réis na aquisição dos primeiros materiaes, deu começo á construcção, e espera, com a ajuda de Deus e a protecção da Imaculada Virgem, a quem o edificio é consagrado, poder levar a cabo tão symphatica obra.

Abertos os caboucos para os alicerces, a expensas do ex-proprietario do terreno, Francisco fernandes Rato, foi inaugurado aos 25 de maio de 1884 o começo da construcção dos hospital, com a benção e collocação da pedra fundamental no alicerce do edificio, ao centro da fachada principal. Acto verdadeiramente solemne e pomposo, presenciado com o maior respeito e regosijo por milhares de pessoas de todas as classes, grande parte dos quaes haviam sido expressamente convidados pela mesa do Compromisso.

Principiada a obra, prosseguiu-se nella com a fan até aos mez de novembro, em que, por effeitos dos grandes temporaes que começaram a cahir e continuaram nos mezes seguintes, tiveram de suspender-se os trabalhos, havendo até a lamentar o desmoronamento d’uma das paredes principaes, com a força da invernia. Em breve porém devem os trabalhos recomeçar e oxalá não faltem os meios nem a boa vontade dos que os podem fornecer, a fim de que dentro de um praso mui curto seja aberto aos enjeitados da fortuna o hospital de Nossa Senhora da Conceição da Villa d’Olhão que será mais um marco miliario, levantado na estrada da civilisação e do progresso, a attestar aos vindouros quanto podem o sentimento da caridade e o amor terra que lhes serviu de berço.

Olhão 20 de março de 1885.

Governo das Armas do Reino do Algarve (1831)

Governo das Armas do Reino do Algarve

Listagem dos capitães mores, sargentos mores, ajudantes, capitães, tenentes e alferes das companhias de ordenanças do Algarve, em 1 de Março de 1831. Além de nos dar conta de como as ordenanças se encontravam constituídas em 1831, interessará também como fonte para a investigação genealógica, dada a listagem dos detentores dos cargos.

Nesta data, o Algarve estava dividido em 14 Capitanias Mores, com um total de 125 Companhias de Ordenanças. A Casa do Infantado detinha uma Capitania Mor (Alcoutim), a Casa da Rainha 3 Capitanias Mores (Faro, Lagoa e Silves), sendo as restantes pertença da Coroa.
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Padres Curas e Coadjutores da Freguesia de Quelfes – Século XVII

Lista de padres curas e padres coadjutores da Igreja de São Sebastião de Quelfes, elaborada (e ainda em desenvolvimento) com base nos livros de registos paroquiais da freguesia de Quelfes, para os anos 1614-1700.

Padres Curas:

DatasNomeTituloObservações
1614-1616Sebastião Sobrinho CorreiaPadre CuraLicenciado
1616-1625Jorge PachecoPadre Cura
1625-1629?
1629-1630Diogo Fernandes FrancoPadre Cura
1630-1636Manuel FernandesPadre Cura
1637-1654Manuel da Fonseca MonizPadre Cura
1655-1665?
1666-1669João Palermo de FariaPadre Cura
1669-1676António Fernandes de AtaídePadre Cura
1676-1677João Rodrigues CerejoPadre Cura
1677Vicente LealPadre Cura Encomendado
1678-1679João do Couto RamosPadre Cura
1679-1695António Fernandes de AtaídePadre CuraEm 1695, é transferido como Padre Cura para
a recém criada freguesia de Olhão.
1695-1696Manuel Martins RolãoPadre Cura
1696Francisco RibeiroPadre Cura
1696Afonso Camacho de AragãoPadre Cura
1697-1700Francisco RibeiroPadre Cura

Padres Coadjutores:

DatasNomeTituloObservações
1614-1616?
1616Sebastião Dias FagundesPadre (Coadjutor?)Sebastian Diaz Fagundes (de nacionalidade Espanhola?).
Em 29.08.1615 lavra um registo de baptismo em Espanhol.
Faleceu em 20.02.1651 na freguesia de Moncarapacho.
1616Francisco VieiraPadre (Coadjutor?)
1616-1617Fernão VazPadre (Coadjutor?)
1618João PiresPadre (Coadjutor?)
1619-1683?
1684-1685Manuel Madeira VilelaPadre Coadjutor
1686-1688Francisco RibeiroPadre Coadjutor
1689?
1690-1693João LourençoPadre Coadjutor
1693-1694Manuel Martins RolãoPadre Coadjutor
1695-1700?

Topónimos extintos da freguesia de Quelfes

Ao pesquisar os registos paroquiais da freguesia de Quelfes encontramos referências a topónimos actuais dos principais sítios desta freguesia (Marim, Boavista, Alecrineira, Brancanes, Ana Velha, Montemor, Quatrim, Peares, Poço Longo, Igreja, Horta de Cima)  assim como a topónimos a que hoje se desconhece a sua localização, uma vez que tendo caído em desuso, deles não resta registo na memória actual. Na tabela abaixo fica uma lista de topónimos dados nos registos paroquiais como sendo localizados na freguesia de Quelfes e hoje desaparecidos.

TopónimoCronologia das Referências
Alagar1804
Alagoa1751
Barroqueira1634
Charcos1708
Dugousa1714
Emborão1698-1730
Fintores1730-1732
Horta do Poço Velho1749
Horta do Vazinho1854
Horta Velha1772
Lagoa1696-1753
Palmeira1808
Poço da Massa1716-1731
Sesmarias1698
Tinsor1710-1726

Imbrex com marca de oleiro IVNIORVM proveniente da Quinta de Marim

Imbrex com marca de oleiro IVNIORVM

Imbrex com marca de oleiro IVNIORVM

Há muitos anos atrás aquando de uma visita á Quinta de Marim, recolhi um fragmento de imbrex (telha de meia cana) com a marca de oleiro IVNIORVM. A marca de oleiro está relativamente bem conservada, lendo-se com nitidez IVNIORVM dentro de uma cartela rectangular (1.2 x 4.5 cm) embora as letras iniciais IVN estejam um pouco degastadas. A cerca de 1.5 cm à esquerda desta marca, encontra-se o resto de outra marca (idêntica?) da qual se distingue apenas parte do M final. Possivélmente a marca inicial não ficou bem impressa na argila, pelo que a imbrex teria sido marcada de novo.

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Quelfes: Rol de Crismas 1753

Uma das fontes documentais ainda pouco utilizadas na investigação genealógica são os róis de confessados e de crismas. Serão porventura pouco utilizados porque na maioria dos casos, estes róis, ao contrário dos livros de registos paroquiais que transitaram das paróquias para as conservatórias de registo civil e para os arquivos distritais, continuam a ser guardados nos arquivos das respectivas igrejas. Os arquivos das igrejas/paróquias não são arquivos de acesso público e como tal, acesso a estes documentos depende da autorização (e da vontade para tal) de cada pároco, o que não deixa de ser uma pena, pois estes são documentos de muito valor quer na pesquisa genealógica, quer para estudos de demografia histórica – especialmente no que diz respeito a róis de confessados, pois estes abrangiam toda a população de cada freguesia.

A crisma, sendo um sacramento que sendo feito só uma vez na vida, normalmente quando se atinge os 15 anos de idade, dá-nos apenas dados sobre uma pequena parte da população. Contudo os róis de crismas não deixam de ser documentos de muito valor, pois em certos casos, são os únicos documentos existentes para datas em que os registos paroquiais se perderam.

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Lápides tumulares: Sé de Faro

Numa das paredes lateriais da Sé de Faro, á esquerda da porta principal, está embutida uma lápide tumular com a inscricão:

Lápide tumular de Lopo de Faria - Sé de Faro

Lápide tumular de Lopo de Faria - Sé de Faro

A / S DE LOPO DE / FARIA Q DEI/XOV A ESTA / SEE A SVA ORTA / COM SINQVO / OFICIOS PERPE/TVOS F ANNO / 1581

Leitura: A sepultura de Lopo de Faria, que deixou a esta Sé a sua horta, com cinco oficios perpétuos. Feita (no) ano (de) 1581.

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Lápides tumulares: Igreja de Quelfes, Olhão

Á entrada das portas principal e lateral (lado sul) da igreja de Quelfes, existem duas lápides tumulares, as quais contêm inscrições. Estas são as duas únicas lápides tumulares no exterior da igreja de Quelfes, e por incrivél que isso nos pareça, de acordo com os registos de óbitos correspondentes, estão ainda na posição em que inicialmente foram colocadas!

Junto da porta principal:

Lápide tumular de José Dias Patrão

Lápide tumular de José Dias Patrão

AQVI JAS / O RD JOZE DIAS / PATRAO CLERIGO / IN MINORIBVS QVE / FALECEV EM 16 DE / MARCO DE 1810 / P.N. A.M.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo José Dias Patrão, Clérigo in minoribus, que faleceu em 16 de Março de 1810. Padre Nosso. Avé Maria.

O registo de óbito de José Dias Patrão está lavrado na folha 66-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e dez anos faleceu José Dias Patrão, viúvo de Maria Rosa da Assunção, recebeu todos os sacramentos do costume, fez testamento, cujo testamenteiro é Manuel Lopes, genro do mesmo testador, morador no sitio da Alecrineira desta mesma freguesia, onde o dito testador residia havia sete anos. Foi sepultado ao pé da porta principal desta igreja, sua freguesia, do que fiz este termo, que assino dia, mês e ano, ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes

É curioso que o registo de óbito não se refira a José Dias Patrão como sendo um membro do clero, mencionado que este foi casado e era viúvo na data em que morreu.

Porta Lateral (Sul):

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

AQUI JAS / O [REVERENDO] / [PADRE] JOZE / PALERMO DA P/ONTE DO SITIO DE MA/RIM DESTA [FREGUESIA] / O QUAL FALECEO N/[O DIA 15] DO M[ES] / DE MAIO [DE] / 1809

Texto da inscrição parcialmente reconstituído [entre parênteses rectos] devido ao mau estado de conservação da lápide.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia, o qual faleceu no dia 15 do mês de Maio de 1809

O registo de óbito do Padre José Palermo da Ponte está lavrado na folha 63-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos quinze dias do mês de Maio de mil oitocentos e nove anos faleceu de um catarral o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia de Quelfes. Recebeu os sacramentos do preceito. Fez testamento, cujos testamenteiros são: António Palermo, irmão do defunto, e António Pereira da Costa, cunhado do mesmo. Foi sepultado á porta do sul desta igreja no dia dezasseis do referido mês, do que fiz este termo, que assinei dia, mês e ano ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes

Aqui jaz … a Epigrafia e Genealogia esquecida

Até meados do século XIX, aquando da instituição de cemitérios em áreas exteriores às igrejas paroquiais, era tradição entre os mais abastados ou os mais devotos, serem sepultados dentro das igrejas ou imediatamente junto ás portas de entrada das mesmas. Estas sepulturas eram cobertas de lápides contendo inscrições,  e por vezes brasões de familia, identificando os que aí estavam sepultados.

Hoje muitas dessas lápides encontram-se ao completo abandono. Servem de piso exterior nos adros das igrejas e encontram-se sugeitas á erosão.

Lápides Tumulares

Lápides Tumulares

Curiosamente, embora os genealogistas portugueses se queixem de falta de fontes para a investigação da história de famílias, não existe nenhum levantamento exaustivo da informação contida em lápides tumulares que tanto abundam nas igrejas portuguesas.